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quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Passarinho na Gaiola: Anarquista burro preso por twittar

Uma das ilusões dos jovens pseudo-revolucionários de hoje é que a Internet é terra-de-ninguém. Não é bem assim. A Constituição veda explicitamente o anonimato, que é figura execrada pela maioria dos Juízes, daí a agilidade com que o Luis Nassif conseguiu identificar quem o estava atacando de forma covarde e anônima, por exemplo.

A outra ilusão é que todo mundo com mais de 30 anos é burro. Eu concordo plenamente com a máxima "Não confie em ninguém com mais de 30 anos", mas só porque sua mãe não sabe programar um videocassete, não quer dizer que todo mundo na mesma faixa etária seja igualmente retardado tecnologicamente.

Segurança por obscuridade não funciona, já dizia corretamente a galera do Open Source. Segurança baseada em estupidez alheia é algo que Sun-Tzu, aquele autor que a Twittess lê, riria a ponto de rolar no chão.

Que o diga o idiota chamado Elliot Madison, metido a líder anarquista. Durante a reunião do G-20,em Washington, o candidato a Fidel estava em um hotel com vários rádios monitorando as frequências da polícia.

Acompanhava a movimentação das tropas e repassava via Twitter para o pessoal que estava no chão, efetivamente enfrentando bala de borracha e gás lacrimogêneo.

Era uma posição invejável, e nem falo do ar-condicionado ou do serviço de quarto. Pense bem, liderança sem sujar os pés. E pior, funcionava.

Quer dizer, por um tempo. O que nosso Guy Fawkes dos tempos modernos, nosso Codinome V com mordomias não sabia era que, well... a polícia sabe que o twitter existe. Isso mesmo.

A cereja do bolo é que o gênio estrategista não só estava tuitando com a própria conta, como o fazia usando o próprio nome. Como todo revolucionário de butique provavelmente se registrou com o nome verdadeiro e pagou com cartão de crédito. Nao exatamente algo complexo para o FBI rastrear.

Fim da história: Foi em cana, e pior, nem se chegou a um consenso se o que ele fazia era ilegal. O único consenso é que foi MUITO burro.

Se bem que dadas as imagens que ilustram este texto, todas retiradas da matéria do Daily Show sobre o protesto, e exibindo manifestantes legítimos, dá pra perceber que o grau de politização é inversamente proporcional ao grau de estupidez entre os manifestantes.

Eu diria até que talvez deva desculpas a Mr Madison, afinal pelo que fica evidente, ele talvez seja um dos mais inteligentes por lá...

Fonte: Ars Technica

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sexta-feira, 18 de setembro de 2009

A Família Salsa



A expressão "salsinha" foi criada por mim, em uma lista de discussão onde afirmei que o comentarista típico de blog, se colocado em uma máquina de EEG, teria resultados indistinguíveis de uma salsinha, na mesma posição.

Houve briga, gente que não tem blog ficou ofendida, blogueiros acostumados a encontrar barbaridades diariamente em suas caixas de comentários concordaram, bla bla bla.

Ontem, no meu bar preferido estava eu quieto e tranqüilo tomando uma cerveja e lendo um livro, quando entra uma família com um sujeito de pé quebrado. Meu Sentido de Aranha começou a apitar. TODO sujeito de pé quebrado que vai de muletas pra bar com a família é chato. FATO.

Sentaram na mesa ao meu lado. Falando MUITO alto. Fumando. Pediram churrasco na chapa, o fogareiro do meu lado.

Isso tudo não me incomodou. O pior era ter que ouvir a conversa deles. Nem a Taís Araújo na TV conseguia me distrair. O livro? Já tinha desistido. Não havia clima.

Uma hora uma delas começou a falar que tinha visto não-sei-quem na TV ir pra África (se tem árvore é África, salsas são limitadas geograficamente) pra comer uma minha de uma árvore, mas "as aranhas venenosas já tinham comido tudo".

Estamos falando, claro, de larvas, que não tem nada a ver com minhocas, que não costumam viver em troncos. Mas é comprido, se mexe, não tem perna, pra salsa é "minhoca".

Seguindo, a sumidade disse que jamais comeria a "minhoca", que tinha visto também na TV (é o máximo de precisão, querer que lembrem o canal é pedir demais) um sujeito comendo escorpiões. Ela completa: "Eu jamais comeria bicho". Outra diz "ah mas minhoca não é bicho". O pé-quebrado lembra que o churrasco que ela comeu era bicho. "ah, mais ou menos".

Falaram de comida. Um soltou seu genial conhecimento afirmando que "pimenta não queima de verdade, só passa a sensação de queimadura, por isso se olhar não fica nada queimado na boca". As outras salsas fizeram "oooooooo" e estavam quase experimentando para comprovar tão genial insight, quando alguém soltou a pérola da noite:

"Sabem que tem uma Lei e terça que vem ninguém vai poder sair de carro?"

Começaram a discutir a constitucionalidade de Lei, um disse que sairia de qualquer jeito, outra começou a reclamar do governo...

A "Lei", claro, é apenas aquela papagaiada ecológica de "Dia Sem Carros", onde um bando de hippies que anda de ônibus mesmo finge que deixou o carro em casa pra salvar o planeta.

Depois reclamam que o Bonner chama o espectador do Jornal Nacional de Homer Simpson.

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