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sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

A Métrica da Meritocracia da Irrelevância

solo-medalha

O Twitter é a bola da vez das mídias sociais, só tendo perdido o post por uns cinco minutos ontem, quando todo mundo foi checar o Google Buzz.

Passamos a perna na velha e engessada mídia, somos mais ágeis que a televisão, que o rádio, que os jornais, que a Mãe Dinah. Influenciamos o mundo, derrubamos ditadores, compramos Coca com casco de Pepsi.

OK, talvez nem tanto, mas por mais que o Twitter não tenha esses poderes divinos, ele já demonstrou sua utilidade em mais de uma ocasião, desde casos individuais como o Acidente do Avião do Governator, até a revolução Iraniana e o Terremoto no Haiti. Ele É uma ferramenta de difusão de informação com uma instantaneidade nunca antes vista na história deste país.

 

Seu segredo, entretanto, não está nos números brutos. Veja os resultados de uma pesquisa extensa feita pela RJ Metrics:

  • Dos 75 milhões de usuários, 1/4 tem 0 followers

  • Somente 17% dos usuários do Twitter são ativos

  • 40% nunca enviaram uma mensagem

  • O tuiteiro médio tem 27 followers

  • 80% dos tuiteiros enviou menos de dez mensagens

Não estamos falando da relação tradicional entre conteúdo/leitor online. No Twitter as coisas acontecem quando repercutem, Se 80% dos tuiteiros enviou menos de dez mensagens, de cara nosso universo cai para 15 milhões de usuários. Se aplicarmos esses valores aos 4 milhões de usuários brasileiros o grosso do Twitter canarinho é tocado por menos de 800 mil pessoas.

 

Como isso é possível? Como o Orkut com número de seguidores ordens de magnitude acima não consegue o mesmo efeito?

Porque números não importam. No Twitter eles não são significativos isoladamente.

Ter uma conta de Twitter com dezenas de milhares de seguidores por si só não quer dizer nada. É preciso ver como esses seguidores deciidiram segui-la.

Não gosto de ficar definindo regras, prefiro o modelo caótico onde os próprios usuários chegam a uma conclusão sobre como o serviço deve ser usado, mas acho que o Twitter funciona muito melhor quando o mérito fala mais alto. Contas que se inflaram artificialmente como o Mano Menezes são bom exemplo. Eu NUNCA, repito, NUNCA vi um RT dele, na minha timeline. Estatisticamente é impossível, ele tem milhões de followers, teria que repercutir muito mais.

Já contas com bem menos followers, como a @narcisaoficial, @samara7days e o @bqeg toda hora aparecem, são lidos e retuitados por gente grande como @OCriador, a @rosana e o @marcelotas. Há ainda um caso a destacar: O @hugogloss, o GRANDE fenômeno do Twitter. Ele saiu da situação de fake, virou cover e hoje é um personagem próprio, com mais relevância e influência na mídia que muito jornalista veterano.

Entender essa métrica é essencial para qualquer um que se diga profissional de mídias sociais. Se você é cliente, fuja de agências que promovem ações no Twitter envolvendo os top xxx do TwitterCounter, ou que garantem yyy seguidores para seu perfil. Números são importantes, mas a métrica fundamental é capacidade de convencimento. O poder de influência de cada tuieiro entre seus seguidores e outros internautas.

Ah, então isso é completamente novo. Impossível de medir, certo?

ABSOLUTAMENTE ERRADO.

Estamos preguiçosos, isso sim. Nos velhos tempos empresas faziam comerciais testemunhais com celebridades, e para isso realizavam enormes pesquisas de opinião, até identificar quem era a celebridade mais associada com a marca. Hoje o pessoal quer tudo de bandeja, então prefere trabalhar apenas com número de seguidores.

Isso é tão burro quanto quantificar a importância do Relatório Reservado versus a Capricho, baseando-se  na tiragem.

Quer fazer publicidade no Twitter direito? Prepare-se para trabalhar. Enquanto alguém não determinar uma metodologia, fizer uma mega-pesquisa, disponibilizar dados periódicos e colocar ordem na casa, todo tipo de campanha salvo exceções terá os tuiteiros escolhidos na base do feeling, e como bem disse Nizan Guanaes, a única pessoa que ganhou dinheiro com Feeling no Brasil foi Morris Albert.

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terça-feira, 26 de janeiro de 2010

E a Azul inventa o SuperSeeding

Neste post do Contraditorium falo sobre a característica das redes sociais onde só faz sucesso quem já faz sucesso, Pessoas gostam de redes sociais onde já há conteúdo, o site pode abrir hoje, vai ter gente reclamando “ah, não tem ninguém”. Mesmo que ele seja o usuário 00001.

 

Por isso mesmo criar uma presença online, ainda mais em diversas redes sociais, é complicado. Espontânea então, leva anos.

A menos que você use o SuperSeeding, uma técnica diferente do Seeding normal, onde agências chamas internautas de otários postando links e comentários “espontâneos” em sites sociais.

 

O SuperSeeding vai além. Ele induz, sugere, comanda, pede ao internauta que ele mesmo poste o conteúdo “espontâneo”, Assim temos um spam “legítimo”, impossível de ser removido,

Como se consegue tal participação? Através de um conceito básico de Economia: Incentivos funcionam. Tomemos como exemplo a Azul, uma Companhia Aérea nova, ainda vista com desconfiança por parte de todo babaca que não viaja de avião e por isso só a Varig presta (afinal em 1978 o pai de seu chefe foi para Santiago por ela e gostou).

Ela criou uma rede social, o http://viajamos.com.br/. Mas esperar o tempo necessário para que uma presença online natural surja é… chato. Então lançaram uma promoção na Campus Party onde sortearão 100 passagens. O que o sujeito deve fazer para participar?

Não requer prática nem tão pouco habilidade, só tempo livre e saco. Veja o que o regulamento exige do participante do sorteio (ênfase em sorteio)

Tarefas a serem cumpridas pelos participantes:

1 – Se cadastrar no viajamos.com.br e fazer um upload de uma foto de perfil.

2 – Convidar 50 (cinquenta) amigos para se cadastrar na viajamos.com.br usando a página de Invite http://viajamos.com.br/main/invitation/new?xg_source=tab

3 – Publicar pelo menos 30 (trinta) fotos de suas viagens pelo Brasil. Não se esqueça de cadastrar as tag's e keywords para cada foto.

 4 – Convidar 15 (quinze) membros já cadastrados na viajamos.com.br para serem seus amigos.

5 – Publicar pelo menos 1 (um) post no http://viajamos.com.br/profiles/blog/new sobre sua viagem favorita para algum destino no Brasil. Não se esqueça de cadastrar as tag's e keywords no seu post.

 6 – Publicar pelo menos 15 (quinze) comentários nas fotos, vídeos ou Blogs dos outros membros da viajamos.com.br

 7 – Juntar-se a 10 (dez) grupos em http://viajamos.com.br/groups. Para cada grupo postar uma mensagem no Fórum de Discussão ou na Caixa de Recados. Um dos grupos tem que ser o Campus Party 2010 (www.viajamos.com.br/group/campusparty2010

8 – Criar um grupo http://viajamos.com.br/groups/group/new relacionado a viagens no Brasil que ainda não foi criada. Os grupos podem ser relacionados a cidades, esportes em cidades e etc. Convidar 25 (vinte e cinco) pessoas para juntar-se a seu grupo.

9 – Se você tem um perfil no Facebook, Orkut, Twitter ou tem um blog, fazer uma publicação convidando as pessoas para se juntar a viajamos.com.br.

10 – Participar das 5 (cinco) comunidades comunidades da Azul:

· http://www.facebook.com/AzulLinhasAereas

 · http://twitter.com/azulinhasaereas

 · http://www.facebook.com/EuamooBrasil

 · http://www.orkut.com.br/Main#Community?rl=cpn&cmm=21350179

 · http://Facebook.com/davidgneeleman

11) Assim que completar todas as etapas anteriores mandar um email para suporte@viajamos.com.br. Incluir no email as seguintes informações:

a)o link para a sua página no viajamos.com.br, (referente 01 item 01)

b) (1) links das páginas/comunidades onde postou sobre a viajamos.com.br (item 5)

 c) informar os nomes de usuário que você usou para se juntar as comunidades da Azul (item 10)

 d) Fazer uma declaração informando que completou todos os passos do desafio e que aceita as regras do mesmo,

 e) Informar nome completo, CPF e o endereço de email que prefere receber o voucher.

Como podemos ver, é genial. Claro, malignamente genial, como o nazista que acabou com toda a desconfiança e relutância dos prisioneiros em Auschwitz, apenas mudando o aviso na porta da câmara de gás de “banho” para “banho grátis”.

A Azul com pouco ou nenhum esforço enche seu site social de conteúdo, e muitos desses usuários acabarão ficando.

Não há outro jeito exceto admirar quem bolou o SuperSeeding. Enterrou de uma vez só a mídia espontânea, as manifestações legítimas e a métrica de redes sociais, e sem vaselina.

Parabéns, quebraram mais um brinquedo.

Fonte: Twitter do w_arthur

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quarta-feira, 2 de setembro de 2009

O Twitter sem propaganda não me interessa

O discurso criptocomunista do brasileiro letrado típico, aprendido através de professores pseudo-revolucionários no colégio e cimentado pelos DAs das faculdades criou um ódio ao marketing e a publicidade que tornou "marketeiro" uma expressão que é falada quase cuspindo.

Se a lógica desses discursos fosse verdadeira milhares de criancinhas já teriam morrido ao descobrir da pior maneira que:

1 - Grades de zoológicos são fáceis de pular e...

2 - Assim como Michael Jackson, ursos polares preferem carne de tenros garotinhos, e não gostam de Coca-Cola (se bem que o Michael ainda tinha a desculpa de ser contratado da Pepsi)

Como isso não acontece, e ninguém toma Mal Nojenta apesar da cerveja estar intimamente associada ao Rock in Rio, um evento que mora no coração de uma geração inteira. DESAFIO a uma cria dos Anos 80 dizer que não se emociona com o tema de Eduardo Souto Neto:


Na Internet há um medo patológico de tudo que é propaganda. Se eu postar um vídeo da Megan Fox Nua Pelada Sem Roupa fazendo strip-tease (eu sei, não me corrija, cacete) mas disser que é "um viral", muita gente não verá e/ou falará mal. Apesar de ser a Megan Fox Nua Pelada Sem Roupa fazendo um strip-tease.

Como terá gente nos comentários dizendo que "Megan Fox Nua Pelada Sem Roupa fazendo um strip-tease" é uma frase para o Google, caça-para-quedistas, bla bla bla vendido, etc, etc.

Essa patrulha anti-marketing tem UM efeito especialmente nocivo: Faz com que as pessoas fiquem receosas de opinar. Já vi várias vezes gente dizer "não falei pra não parecer propaganda".

Pois vou contar um segredo: É propaganda. Quando você diz que gosta de um produto, de um local, de uma pessoa, ESTÁ fazendo propaganda. E não há nada de errado nisso.

Mesmo que gente pegue um conceito básico como o boca-a-boca e estique até virar cauda longa, ainda assm continua sendo gente falando de coisas que gostam. É natural ao ser humano. Já perdi a conta de quantos já converti ao Gravity, melhor cliente twitter do Universo para Symbian, e ao DealExtreme, fonte de todas as porcarias chinesas que tanto amamos.

O DealExtreme tem inclusive um programa de afiliados, mas não tive nem tempo de me inscrever. No dia que fizer isso GARANTO que encherão meu saco dizendo que recomendo pq estou ganhando.

Eu não quero isso no Twitter. Quero que o Tas possa colocar o #xtreme dele em paz, que o Clube Social possa colocar #clubesocial ao invés de ter que apelar pra "#inconfundível" pra fugir do patrulhamento, e quero que quem eu sigo e interajo possa recomendar links, produtos e serviços sem medo de acusações de jabá.

Cauda Longa só funciona quando consumidor se sente LIVRE para gostar do produto E expressar seu sentimento. Feito isso o Twitter vira o maior site de recomendações / procon / helpdesk / fansite do mundo, o que é maravilhoso.

Do contrário se resumirá a um lugar onde velhos reclamões farão posts raivosos sobre tudo que odeiam, afinal como já me disseram "ser bom não é mais que a obrigação, não vou elogiar produto por causa disso".

Assim, sugiro cortar o mal pela raiz. Caso alguém reaja com acusações de jabá a algo que você legitimamente gosta e elogiou de forma espontânea, rebata com as palavras da virginal, doce, inocente e pura Mírian Bottan: "Pega na minha e balança".

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