A Métrica da Meritocracia da Irrelevância
O Twitter é a bola da vez das mídias sociais, só tendo perdido o post por uns cinco minutos ontem, quando todo mundo foi checar o Google Buzz.
Passamos a perna na velha e engessada mídia, somos mais ágeis que a televisão, que o rádio, que os jornais, que a Mãe Dinah. Influenciamos o mundo, derrubamos ditadores, compramos Coca com casco de Pepsi.
OK, talvez nem tanto, mas por mais que o Twitter não tenha esses poderes divinos, ele já demonstrou sua utilidade em mais de uma ocasião, desde casos individuais como o Acidente do Avião do Governator, até a revolução Iraniana e o Terremoto no Haiti. Ele É uma ferramenta de difusão de informação com uma instantaneidade nunca antes vista na história deste país.
Seu segredo, entretanto, não está nos números brutos. Veja os resultados de uma pesquisa extensa feita pela RJ Metrics:
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Dos 75 milhões de usuários, 1/4 tem 0 followers
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Somente 17% dos usuários do Twitter são ativos
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40% nunca enviaram uma mensagem
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O tuiteiro médio tem 27 followers
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80% dos tuiteiros enviou menos de dez mensagens
Não estamos falando da relação tradicional entre conteúdo/leitor online. No Twitter as coisas acontecem quando repercutem, Se 80% dos tuiteiros enviou menos de dez mensagens, de cara nosso universo cai para 15 milhões de usuários. Se aplicarmos esses valores aos 4 milhões de usuários brasileiros o grosso do Twitter canarinho é tocado por menos de 800 mil pessoas.
Como isso é possível? Como o Orkut com número de seguidores ordens de magnitude acima não consegue o mesmo efeito?
Porque números não importam. No Twitter eles não são significativos isoladamente.
Ter uma conta de Twitter com dezenas de milhares de seguidores por si só não quer dizer nada. É preciso ver como esses seguidores deciidiram segui-la.
Não gosto de ficar definindo regras, prefiro o modelo caótico onde os próprios usuários chegam a uma conclusão sobre como o serviço deve ser usado, mas acho que o Twitter funciona muito melhor quando o mérito fala mais alto. Contas que se inflaram artificialmente como o Mano Menezes são bom exemplo. Eu NUNCA, repito, NUNCA vi um RT dele, na minha timeline. Estatisticamente é impossível, ele tem milhões de followers, teria que repercutir muito mais.
Já contas com bem menos followers, como a @narcisaoficial, @samara7days e o @bqeg toda hora aparecem, são lidos e retuitados por gente grande como @OCriador, a @rosana e o @marcelotas. Há ainda um caso a destacar: O @hugogloss, o GRANDE fenômeno do Twitter. Ele saiu da situação de fake, virou cover e hoje é um personagem próprio, com mais relevância e influência na mídia que muito jornalista veterano.
Entender essa métrica é essencial para qualquer um que se diga profissional de mídias sociais. Se você é cliente, fuja de agências que promovem ações no Twitter envolvendo os top xxx do TwitterCounter, ou que garantem yyy seguidores para seu perfil. Números são importantes, mas a métrica fundamental é capacidade de convencimento. O poder de influência de cada tuieiro entre seus seguidores e outros internautas.
Ah, então isso é completamente novo. Impossível de medir, certo?
ABSOLUTAMENTE ERRADO.
Estamos preguiçosos, isso sim. Nos velhos tempos empresas faziam comerciais testemunhais com celebridades, e para isso realizavam enormes pesquisas de opinião, até identificar quem era a celebridade mais associada com a marca. Hoje o pessoal quer tudo de bandeja, então prefere trabalhar apenas com número de seguidores.
Isso é tão burro quanto quantificar a importância do Relatório Reservado versus a Capricho, baseando-se na tiragem.
Quer fazer publicidade no Twitter direito? Prepare-se para trabalhar. Enquanto alguém não determinar uma metodologia, fizer uma mega-pesquisa, disponibilizar dados periódicos e colocar ordem na casa, todo tipo de campanha salvo exceções terá os tuiteiros escolhidos na base do feeling, e como bem disse Nizan Guanaes, a única pessoa que ganhou dinheiro com Feeling no Brasil foi Morris Albert.
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